Quinta-feira, Março 29, 2007

Ritmado

Ela se joga

na água

do que seu olho molha


E


com a mesma água

rega

o que sua vontade chora

Terça-feira, Março 27, 2007

Presente de aniversário*


Bumerangue! Produções by Vitor Diel


Space oddity - David Bowie

Ground Control to Major Tom
Ground Control to Major Tom
Take your protein pills
And put your helmet on

Ground Control to Major Tom
Commencing countdown, engines on
Check ignition
And may God's love be with you

(spoken)
Ten, Nine, Eight, Seven, Six, Five, Four, Three, Two, One, Liftoff

This is Ground Control to Major Tom
You've really made the grade
And the papers want to know
Whose shirts you wear
Now it's time to leave
The capsule if you dare

"This is Major Tom to Ground Control
I'm stepping through the door
And I'm floating in a most peculiar way
And the stars look very different today

For here
Am I sitting in a tin can
Far above the world
Planet Earth is blue
And there's nothing I can do

Though I'm past one hundred thousand miles
I'm feeling very still
And I think my spaceship
Knows which way to go
Tell my wife I love her
Very much she knows"

Ground Control to Major Tom
Your circuit's dead,
There's something wrong
Can you hear me, Major Tom?
Can you hear me, Major Tom?
Can you hear me, Major Tom?
Can you....

"Here am I floating round my tin can
Far above the Moon
Planet Earth is blue
And there's nothing I can do."


*coisas do amor, que não é líquido, pois não escorre por entre os dedos.

Segunda-feira, Março 26, 2007

Frases de mãe

-Sai daí, guri. Tu vai te machucar!

-Eu bem que avisei. Agora não adianta chorar.

-Onde será que anda o Júnior? Quando ele some é por que tá aprontando alguma.

-Esse silêncio do Júnior me preocupa.

-Vem pra dentro guri. Teu pai vai chegar e tu não tomou banho.

-Tá. Só mais quinze minutos, depois direto pro chuveiro.

-Tu não vai sair desse banheiro, guri?

-Desliga esse chuveiro, Júnior! No fim do mês vai ser um sufoco pra pagar a luz.

-Come a salada pra ficar forte e saudável...

-Quem será que pegou as moedas que eu deixei no balcão?

-Levanta Júnior, senão tu vai te atrasar pro colégio!

-Não adianta chorar que eu não vou comprar esse carrinho.

-Pode chorar à vontade, quem vai passar vergonha é tu mesmo.

-E não fica pedindo dinheiro pro teu avô...

-Se te perguntarem se tu quer comer de novo, agradece, sorri e diz que tá satisfeito.

-O que que a gente diz quando ganha alguma coisa?

-Nem parece que eu te dou educação...

-Baixa as calças e não chora, a injeção não vai doer nada, nada.

-Não morde o lápis que tu morre, guri!

-E é só uma fatia de mortadela no café, viu!

-Vai no armazém e nada de comprar chiclete com o troco. Gruda as tripas e tu morre.

-Desce da árvore que tu não é Tarzan.

-Não diz que eu não avisei. E não mexe no gesso do braço, senão o osso fica torto.

-Precisava lambuzar a camisa nova, precisava?

-Se tu puxar o cabelo da tua irmã mais uma vez eu vou puxar uma coisa tua e tu não vai esquecer nunca mais.

-Júnior, tua irmã não é boneca pra tu encher os olhos dela de talco!

-Se tu fizer xixi na cama de novo, apanha.

-Drácula não existe, mas lobisomem tem um que mora aqui do lado. Se tu fizer arte eu chamo ele.

-Escova os dentes, senão as formigas vêm morar na tua boca.

-Se tu responder pra mim eu ligo e chamo o teu pai.

-Hermes vem aqui e faz o Júnior calar a boca.

-Ó, teu pai tá chegando...

-Ó, teu pai tirou a cinta...

-Esse guri tá impossível hoje!

-Larga do meu vestido, Júnior. Ela não é um monstro, tá usando gesso por que quebrou a perna.

-Júnior, se tu deixar essas cacarias espalhadas pela sala eu jogo tudo fora.

-Hoje vai ter visita. Te comporta, por favor!

-Tá vendo esse chinelo? Apronta e tu vai ver pra que que ele serve.

-Não puxa o rabo do gato, Júnior!

-Bem feito! Eu avisei pra não puxar o rabo do gato, eu avisei.

-Tu não vai por que tu é muito arteiro.

-Eu já te disse pra não escrever nas paredes!

-O que é que tu tava fazendo pelado com a filha da vizinha, hein?

-Não mete a mão no doce que tá quente.

-Fica em casa e cuida de tudo, mas não mexe nos livros.

-Quem foi que mexeu nas revistas Playboy do mano?

-Senta aí pra ver a Xuxa que eu tenho mais o que fazer.

-Júnior, traz o ramo bento, cobre os espelhos e fecha as tesouras que vai cair uma tempestade daquelas.

-E eu não quero precisar te chamar duas vezes. Se eu disse volta às cinco, é às cinco.

-Não mete o dedo no bolo que ainda nem cantamos o Parabéns... e o aniversário não é teu, guri!

-Esse guri me faz passar cada vergonha...

-Hermes, vem dar um jeito nesse guri sem educação.

-Tira o dedo do nariz, relaxado!

-O Júnior é um doce de menino, tirou dez em tudo!



*no próximo post, publico as respostas do Júnior.

Sacanagem

Há tempos eu estava com vontade de postar uma sacanagem. Então, aí vai... Kamasutra nos leitores!


Sexta-feira, Março 23, 2007

Frases de Nelson Rodrigues

O homem começa a morrer na sua primeira experiência sexual.


A morte é anterior a si mesma.


Toda unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar.


Todo desejo é vil.


A cama é um móvel metafísico.


Tarado é toda pessoa normal pega em flagrante.


Só há uma tosse admissível: a nossa.


Eu me nego a acreditar que um político, mesmo o mais doce político, tenha senso moral.


Morder é tara? Tara é não morder.


Todo tímido é candidato a um crime sexual.


O amigo é um momento de eternidade.


O casamento não é culpado de nada. Nós é que somos culpados de tudo.


A dúvida é autora das insônias mais cruéis. Ao passo que, inversamente, uma boa e sólida certeza vale como um barbitúrico irresistível.


Toda coerência é, no mínimo, suspeita.


A maioria das pessoas imagina que o importante, no diálogo, é a palavra. Engano, e repito: - o importante é a pausa. É na pausa que duas pessoas se entendem e entram em comunhão.


Toda a história humana ensina que só os profetas enxergam o óbvio.


Amar é ser fiel a quem nos trai.


No Brasil, quem não é canalha na véspera é canalha no dia seguinte.


Se eu tivesse que dar um conselho, diria aos mais jovens: - não façam literatice. O brasileiro é fascinado pelo chocalho da palavra.


Quero crer que certas épocas são doentes mentais. Por exemplo: - a nossa.

Desconfio muito dos veementes. Via de regra, o sujeito que esbraveja está a um milímetro do erro e da obtusidade.

Quarta-feira, Março 21, 2007

Tatuagem de cinema

Ontem fui assistir Maria Antonieta, último filme de Sofia Coppola integrante da trilogia sobre a juventude. No papel título, Kirsten Dunst. O filme narra a história da austríaca que se tornou a mais polêmica rainha da França, obrigada a casar-se por com Luís Augusto, o Delfim que subiu ao poder após a morte de Luís XV. A Maria Antonieta, celebrizada pela lenda "Se não tem pão, comam brioches", é uma adolescente de 14 anos, que por um acordo político entre as duas nações se vê obrigada a desfrutar da opulência da corte francesa e de um marido ausente, mais dedicado em fabricar chaves como hobby e caçar, do que cumprir com seu papel de esposo. A França vê na vienense uma mulher seca, incapaz de dar à nação um herdeiro legítimo.

A lente de Sofia nos oferece uma visão completamente diferente e humanizada da personagem. No lugar da vilã absolutista, uma adolescente que, aos catorze anos, é empurrada para um casamento arranjado com um príncipe estrangeiro, sequestrada de sua adolescência, obrigada a cumprir com um rigoroso código de posturas, que considera ridículo.

Inadaptada ao ambiente de intrigas e fofocas e entediada com as rígidas normas cerimoniais, Maria Antonieta faz do desbunde sua marca registrada. Roupas, festas, caprichos, enfim, o sonho da maioria das adolescentes tornado realidade numa escala descomunal. Vivendo numa redoma, sem consciência de que fora das paredes do palácio uma revolução está para explodir. O filme ostensivamente centra seu olhar na nobreza. O povo nunca é mostrado, o máximo que vemos são suas revoltosas foices clamando pelo fim da monarquia e, mesmo assim, apenas como um contraponto para a belíssima tomada em que a protagonista se debruça no balcão como se estivesse colocando o pescoço na guilhotina.

Mas o recurso de ambientar a história no Palácio de Versalhes, tal e qual no século XVIII, com todos os exageros da época mesclados a uma trilha sonora pop, não torna o filme atual como pretendia a diretora. Trata-se do óbvio servindo à atualização do fato. A tentativa de estabelecer uma conexão de comportamento da jovem Antonieta com as jovens do século vinte sequer é arranhada pelo filme. Fica mais no discurso da direção em entrevistas.

Maria Antonieta chegou à França aos quatorze anos e morreu aos trinta e sete, seu esposo, Luís XVI levou sete longos anos para consumar o casamento. Nesse sentido os cortes do filme são confusos, sem indicações claras sobre o tempo em que os fatos transcorrem. O destaque fica para algumas tomadas que conseguem exibir a patética vida da França do século dezoito e o lirismo das cenas realizadas quando Maria Antonieta retira-se de Versalhes para seu Petit Trianon, a fim de criar sua filha longe dos bajuladores e passar horas no campo lendo Rosseau.

Choque: o par de All Star azul jogado em uma cena em que Maria Anonieta faz uma prova de sapatos. Se foi descuido, nota zero. Se foi proposital da direção para tentar estabelecer uma linha de tempo, nota zero também.

Com quarenta milhões de dólares, sendo que trezendos e oitenta e cinco mil foram para locar o Palácio de Versalhes, um filme que poderia ser excelente, ficou na mediocridade, exibindo-se em trajes opulentos e frivolidades, tal qual a época que retrata.

Sofia não merece a guilhotina por ter realizado um filme aquém de As Virgens Suicidas, mas também não merece a coroa.

Falando em guilhotina, todo mundo espera incansavelmente pela cena em que a rainha perde literalmente a cabeça. Desculpe frustrá-los, isso não acontece. E nisso estou totalmente de acordo com o roteiro e a direção. Não há necessidade de mostrar o que podemos imaginar. Afinal, imaginar crueldades é bem mais fácil, já que estamos cercados delas.

Terça-feira, Março 20, 2007

Obras que eu adoraria ter escrito

Meio pretensioso, talvez, desejar ter escrito estas obras, mas o único intuito é referir tais obras e expressar parte de meu gosto pessoal.

Crônica de uma morte anunciada
de Gabriel Garcia Márquez

Como se moesse ferroe Se choverem pássaros
de Altair Martins

O castelo e O processo
de Franz Kafka

Uma casa no fim do mundo
de Michael Cunningham

O livro dos prazeres
de Clarice Linspector

O Visconde partido ao meio
de Ítalo Calvino

Pedro e Lua (infanto)
de Odilon Moraes

Na corda bamba (infanto)
de Lygia Bojunga Nunes

Memórias inventadas
de Manoel de Barros

Ovelhas Negras
de Caio Fernando Abreu

Infância
de Graciliano Ramos

Segunda-feira, Março 19, 2007

Frases que disse, pensei, escrevi

Escrevo na velocidade da minha angústia.


A inteligência que racionaliza o amor é burra.

Terça-feira, Março 06, 2007

Um cartão ao leitores que passam por aqui

imagem coletada deste site aqui

Antitabagismo

Das vezes que os fantasmas não me deixaram dormir

foram os cigarros que neguei fumar

a nicotina que deixei de me envenenar


Das vezes que os fantasmas me assaltaram na ansiedade

trouxeram consigo lembranças amargas

e me arrancaram, impacientes

minha paciência e esquecimento consoladores


quarenta e duas horas atrás

fumava minha ansiedade

nas rimas em falso

minha falsa poesia


nascida em elos de fumaça

carbonizando, não os fantasmas

mas o eu mesmo


soma de resto

gás carbônico

por fora


por dentro

mimetizado em cinzeiro


cheio

Domingo, Março 04, 2007

Corpo livro agregado

Outro corpo livro aqui

vale a pena!

Repuxo





Palavras

ondas

traiçoeiras


sem elas

vazio incômodo

interrogação nauseante


com elas

mar de justificativas

arrecife de besteiras


o meio-termo é navegação

entre bóias de sinalização

Sexta-feira, Março 02, 2007

meus + silêncios

Ando

despindo-me mais do que vestindo

contemplando mais do que agindo

escrevendo mais do que falando

mais agradecendo do que dormindo

mais bergamota do que carne



mais abstrato do que concreto

mais discreto do que foco

mais natural do que artifício

mais igual do que diferente

mais aconchego do que arisco



mais fora do que dentro

mais instantâneo do que intento

mais instrospectivo do que reagente

mais real do que miragem

mais tácito do que fugaz

mais flor do que adereço


E broto

MAIS

no meio-fio da caminhada

Fragmentos (repost)

minha poesia

não morre à míngua



é o todo

de mim à parte


eterno

meu lado

interno



de tudo

parte


*repost

Vida de solteiro*

painting by Banksy





geladeira

fria

deserta


prateleira incerta


repolho?

alcachofra?

tomate?


gaveta suicida

carne apodrecida


costela?

peito?

filé?


qual nada!

geladeira fechada

cá fora, 40 graus


Coração

e toda nossa transpiração