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e ponto

(s)




segunda-feira, novembro 13, 2006

Parênteses

Abro parênteses na poesia desta telinha para a poesia da telona


Adoro filmes sobre viagens, em que as personagens saem em busca de si mesmas, por isso recomendo os seguines filmes:


1-Exílios - direção de Tony Gatlif - com Roman Duris (Albergue espanhol e Bonecas Russas) e Lubna Azabal. Produção: 2004. Idioma: Francês.

Exílios é uma fantástica viagem de autodescoberta, um retorno às raízes e um mergulho na alma. Esse filme magnífico tem como destaque as atuações e é impelido por uma trilha musical instigante que nos conduz a paisagens emocionais não cobertas pela história que ocupa o primeiro plano.

O roteirista e diretor Tony Gatlif alimentou esse filme de entretenimento picaresco com uma gama convidativa de momentos leves e outros de emoção inesperada. Há surpresas, e algumas delas vêm quando os personagens adentram regiões de seu ser que o seguro mundo francês em que viviam não havia aberto para eles.

De uma coisa Tony Gatlif não pode ser acusado: desconhecer o assunto que resolveu abordar neste filme. Argelino radicado na França, o diretor demorou 43 anos e 13 longas metragens para desafiar os 7.000 km que o separavam de sua terra natal e filmar esta migração ao inverso, esta busca pelo seu passado e suas raízes, a ponto de ter declarado que “o filme não nasceu de uma idéia, mas do desejo de mergulhar em minhas próprias cicatrizes”.


2- Café da manhã em Plutão - direção Neil Jordan (mesmo diretor de Traídos pelo desejo), com Cillian Murphy (Patrick "Kitten" Brady) Liam Neeson (Padre Bernard)Stephen Rea (Bertie). Produção: 2005. Idioma: Inglês

Patrick (Cillian Murphy) é travesti numa pequena cidade da Irlanda. Filho de um relacionamento entre uma doméstica e o padre local, depois de abandonado pela mãe Patrick foi criado por Ma Braden (Ruth McCabe), que não suporta seu jeito afeminado. Juntamente com seus amigos Charlie (Ruth Negga), Irwin (Laurence Kinlan) e Laurence (Seamus Reilly), Patrick decide sair de casa e partir em busca de sua mãe verdadeira.

“Café da Manhã em Plutão” é uma adaptação da obra literária de Patrick McCabe, sendo que na última vez que Jordan levou para a telona um livro do autor ele conquistou o Urso de Prata de Melhor Diretor em Berlim, no caso com “Nó na Garganta”, em 1997.

Neil Jordan coloca desde o início de Café da Manhã em Plutão, com seus pássaros-cronistas, todas as cartas na mesa: estamos diante de uma narrativa nitidamente fabular, onde exigir um alto grau de realismo ou verossimilhança seria, no mínimo, desonesto para com o filme.

3- Família Rodante - direção e roteiro de Pablo Trapero (diretor de Mundo Grua)- com Graciana Chironi (Emilia), Melhor Atriz no Festival de Gijón. Produção: 2004. Idioma: Espanhol (Argentina)

Os 12 integrantes de uma família embarcam em uma casa rodante rumo a uma festa de casamento, que será realizada na cidade-natal da matriarca da família.

No dia do aniversário de 84 anos de Emilia (Graciana Chironi) ela reúne em sua casa toda a família para um jantar de comemoração. É quando ela recebe um telefonema de Missões, sua cidade-natal a qual nunca mais retornou, com um convite para ser madrinha de casamento de uma sobrinha que nem conhece. Emocionada, Emilia repassa o convite a todos os integrantes de sua família. Eles decidem ir até Missões em uma casa rodante construída em cima de um velho Chevrolet Viking 56, no qual cabe os 12 integrantes da família. Durante a viagem as 4 gerações da família convivem com seus sonhos, frustrações, desejos e dúvidas.

Trapero busca um cinema do pequeno gesto, um cinema onde cada parte significa mais do que o todo, onde a aproximação da câmera com os personagens beira o absurdo. Seu cinema é um cinema pulsante, e um cinema onde a dramaturgia se constrói não só pela urdidura de uma sequência de ações (o roteiro), mas acima de tudo pela forma como cada uma destas ações é encenada pelo elenco e pela câmera que filma este elenco.


Boa diversão!

Um comentário:

Anônimo disse...

Hermes,
talvez não tenha muito com esse tópico, mas veja " VOLVER" do Almodovar; me surpreendi com a delicadeza.