- Hoje eu vou deixá-lo. Já deixei outras vezes e voltei. Eu não tenho vergonha na cara mesmo. Mas hoje vou deixá-lo. Para sempre. Vou abandoná-lo. Não sem antes explicar os motivos pelos quais eu o faço. Sei que o mundo vai agradecer por eu deixá-lo. Sei que eu vou agradecer. Meus amigos agradecerão. Já gastei muita grana com ele. Perdi horas de sono indo à banca pegá-lo em plena madrugada enquanto os seres normais dormiam tranquilos. Deixei de desfrutar a companhia de amigos verdadeiros - que não gostam dele - pra ficar encolhido com ele no frio da sacada. Já tive de ouvir "que cheiro estranho". Era o cheiro dele. E o cheiro dele fica impregnado em tudo. Ele está em tudo. Na roupa de cama, nos casacos, em minhas camisas. Nas almofadas na sala. Nos tapetes, até! Já recusaram meu beijo por causa dele, do gosto que ele deixa na minha boca quando me beija. Já devorei as unhas na impossibilidade de tê-lo, na impossibilidade de tocar meus dedos macios em seu corpo esguio e perfeito. Ah, que corpo perfeito! Logo no princípio, era charmoso andar com ele. Era glamour. Coisa que a TV implantou em mim. Que era bonito andar com ele. Que, juntos, éramos feitos um para o outro. E ele queria me matar. Descobri ontem à noite. Eu sempre soube, mas fazia de conta que não sabia. Seu plano era acabar comigo. E estava conseguindo, aos pouquinhos, sem que eu percebesse. Eu percebia, mas como disse, não tenho vergonha na cara mesmo. Houve noite em que acordei com ele me sufocando, me roubando a respiração. Ele rouba minha paciência, meu dinheiro, minhas companhias, meu perfume, minha sensatez, minhas unhas, e muitos anos da minha vida. Então, por que ainda estou com ele? Esta pergunta me despertou pela manhã antes que ele me envolvesse com aquele jeito de se enfiar entre meus dedos. E antes que ele me seduzisse, envolto em bruma, decidi: ele tem que morrer. Vou destruí-lo. Eu sei que vou chorar. Foi uma relação de anos. Mas acabou. E precisa ser dramática a sua morte. Sou leonino, adoro dramas! Hoje ele vai sair da minha vida, para sempre. Como num filme noir, gênero que ele gosta. Se eu não acabar com ele hoje, ele acabará comigo amanhã.
(Aproxima-se do maço de cigarros. Retira o último e com a ponta dos dedos torce-o com força, estrangulando-o. O fumo escorre entre os dedos. Abandona o corpo e seu filtro dilacerado no cinzeiro, entre baganas e cinzas. Despeja o cinzeiro numa sacola plástica, de supermercado. Lava as mãos, retirando vestígios do crime. Veste sua trenchcoat alinhada. Desce ao saguão do prédio e joga o "presunto" de cinzas na lixeira, sem que ninguém perceba)
- Antes só do que mal acompanhado, baby!
(Sai para a rua. Atravessa a rua quando o sinal pisca verde)
- Amanhã matarei outros vinte que se desmanchariam em cinzas pra acabar comigo...
Quinta-feira, Maio 31, 2007
Quarta-feira, Maio 30, 2007
Significados e Significantes
Toda a vez que alguém pronuncia Eu te amo, além do literal, há outros dizeres intrínsecos em cuja entonação a frase que tanto se deseja ouvir ou dizer, é dita:
- Cala a boca e me beija!
- Não quero continuar essa discussão.
- Senhor, dá-me paciência...
- Não vamos fazer uma tempestade em copo d'água!
- Eu te ouço, te compreendo e te aturo...
- A vida é muito curta pra ficar de lenga-lenga!
- Chega!
- Ô babaca, tu não percebeu que eu te amo?
- Em que que eu fui me meter...
- 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10. Ufa!
- Santo anjo do Senhor, meu zeloso guardador...
- Ei, desça desse pedestal e venha falar com os humanos!
- coisofofoqueridinhoamadinholindomesmoéomeuamor
- Não vacila, meuô!
- Eu te perdôo.
- Se este blá, blá, blá, continuar...
- Não viaja na maionese.
- Que merda!
- Me escuta!
- Não adianta insitir, eu não quero, porra!
- Por você vou roubar os anéis e "usar tudo".

Mas o Eu te amo que acredito mesmo, soa como naquela canção:
"Eu te amo calado como quem ouve uma sinfonia de silêncios e de luz..."
- Cala a boca e me beija!
- Não quero continuar essa discussão.
- Senhor, dá-me paciência...
- Não vamos fazer uma tempestade em copo d'água!
- Eu te ouço, te compreendo e te aturo...
- A vida é muito curta pra ficar de lenga-lenga!
- Chega!
- Ô babaca, tu não percebeu que eu te amo?
- Em que que eu fui me meter...
- 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10. Ufa!
- Santo anjo do Senhor, meu zeloso guardador...
- Ei, desça desse pedestal e venha falar com os humanos!
- coisofofoqueridinhoamadinholindomesmoéomeuamor
- Não vacila, meuô!
- Eu te perdôo.
- Se este blá, blá, blá, continuar...
- Não viaja na maionese.
- Que merda!
- Me escuta!
- Não adianta insitir, eu não quero, porra!
- Por você vou roubar os anéis e "usar tudo".

Mas o Eu te amo que acredito mesmo, soa como naquela canção:
"Eu te amo calado como quem ouve uma sinfonia de silêncios e de luz..."
Sexta-feira, Maio 25, 2007
Canção - trecho de meu novo livro*
Como pode uma cabeça não prestar
se dentro há tudo que irá durar?
Se uma cabeça não presta,
prestam as lâminas afiadas
que cortam nossas cabeças?
Temos pressa em separar
a cabeça do corpo
Um corpo sem cabeça não pensa
Quem pensa sempre tem cabeça
se a sua cabeça pensa
use o corpo pra mantê-la
Cabeça suporta cabeça
* Titica de Galinha - em breve numa livraria perto de você!
se dentro há tudo que irá durar?
Se uma cabeça não presta,
prestam as lâminas afiadas
que cortam nossas cabeças?
Temos pressa em separar
a cabeça do corpo
Um corpo sem cabeça não pensa
Quem pensa sempre tem cabeça
se a sua cabeça pensa
use o corpo pra mantê-la
Cabeça suporta cabeça
* Titica de Galinha - em breve numa livraria perto de você!
Terça-feira, Maio 22, 2007
Dica de leitura
Sábado, Maio 19, 2007
Manchete dúbia*
Sexta-feira, Maio 18, 2007
Drummondiapósdia
No meio do caminho tinha uma idéia. Tinha uma idéia no meio do caminho. Em vez de chutá-la, como fazemos com tantas idéias que às vezes parecem pedras no meio do caminho, peguei-a, pintei-a. E a idéia coloriu o meio do caminho. Para alguns continuou sendo pedra. Para outros se multiplicou em idéias, por todos os caminhos onde há muita pedra que não precisa ser pedra para sempre.
Terça-feira, Maio 01, 2007
Contando histórias por aí

Projeto Gráfico e logotipia de Vitor Diel, do Bumerangue! aí ao lado.
Editora Armazém de livros e o escritor infantil Hermes Bernardi Jr. lançam projeto de contação de história
O autor infantil Hermes Bernardi Jr. lança um novo projeto que pretende aproximar o público da literatura e estimular a formação de novos leitores. É o Terça eu conto pra você!, que levará o autor para contar histórias em escolas, associações, empresas ou residências em todo o Brasil, sempre às terças-feiras. A iniciativa tem previsão de duração de dez anos, sendo que em cada ano será trabalhado um grupo específico de livros e autores.
Para a realização do Terça eu conto..., é necessária a disponibilização de transporte, alimentação e, se for o caso, estada. O projeto é gratuito e atende exclusivamente a grupos de até 30 pessoas.
Os escritores selecionados para serem trabalhados em 2007 são Celso Gutfreind, Carlos Urbim, André Neves, Caio Riter, Ricardo Azevedo, Gláucia de Souza, Marta Neves, Caio Fernando Abreu, Clarice Lispector, além do próprio autor do projeto.
Serviço
Terça eu conto pra você! – contação de história para grupos com Hermes Bernardi Jr.
Contato pelo e-mail armazemdelivros@gmail.com ou pelo número (51) 9955.3194
Saiba mais
Hermes Bernardi Jr. tem sete livros publicados e é autor de peças teatrais para crianças. Seu projeto Colcha de Histórias, em que o próprio autor dramatiza contações de histórias, o levou para apresentações em São Paulo e Pernambuco. Já o Tapete Mágico – Espaço de Leitura, uma biblioteca móvel que aproxima famílias e escolas da literatura de uma forma descontraída, foi levado para feiras de livro de todo o Rio Grande do Sul. Seu primeiro livro, Abecedário Alegre do Porto, é há nove anos adotado por escolas de Porto Alegre.
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