Terça-feira, Agosto 29, 2006

ad extremum

Nesga

Fresta

Trepidações


abalo-me córrego

descarrilado


meio-fio

dente afiado


murmúrio

rasgo improvável


calo a unha

desperto

vivo

no que em

cravado


precipício no vale

onde jazem

os que jazem

Segunda-feira, Agosto 28, 2006

Quero apurar o verbo

na hora inexata


Dar-te a mim

na mão ingrata


apunhalar meu corpo

no delírio escaldado


converter o não

dobrar os sinos

e repicar nas torres

mais altas

Fertiliza-me ou devoro-te

Moscas ensolaradas

na bosta

de Tudo


olha como se olha

não vê o que olha

vê o que vê


contudo

bosta é adubo


defequei nas cinzas

Sábado, Agosto 26, 2006

Experiences





Cadafalso

Guilhotina


solta tua ânsia


mata-me


hoje



Sem dó



amanhã sobrevivo

e planto nenúfares

Sexta-feira, Agosto 25, 2006

Quem sou eu*




*Pergunta no perfil do orkut faz poema na cabeça cheia de minhocas

sou o que me assombra
o que me assola
o que me apaixona
o que me engole
o que me vomita
o que me devolve
o que me acarinha
o que me impulsiona
o que me respeita
o que me afronta
o que me dá...

não me compra
nem pede nada em troca

mas oferece tudo feito celebração

porque hoje é hoje
amanhã já não sei
o ontem não ronda mais

e eu já esqueci

Quarta-feira, Agosto 23, 2006

Rachaduras do inacessível

margeávamos

agrestes


calejava o silêncio

escaldado a pino


a sede

greta possível

na encruzilhada dos rumos


pás em punho


cavo fértil

do que de outrem

estéril


jazigo meu

teu deserto

sal

Segunda-feira, Agosto 21, 2006

Derreto

a muralha


construída

reproduzida

preservada


do que me

eregi

dentro



d'outro lado

a floresta

deixa-se

afagar



perfuma-se

o fungo

das crostas

nas encostas


quando

teu olho

brota-me

Sexta-feira, Agosto 18, 2006

Aniversário




outro inverno

vivido

vívido


dia assim

dia assado



não sou mobília

na estática das coisas

das horas


não acumulo pó

na inércia

que a muitos consola


giro feito moinho

redemoinho experiências

movo as pás

que me rolam água

na sede que me comemora


e fluo

rio da vida

não limo

mas seixo

rolado


* Amanhã, 19 de agosto, 41 invernos e sol ardente

Segunda-feira, Agosto 14, 2006

Página em branco

Desejei

fazermo-nos

poema


o alarme

soou

ponteiros

parados


o verso:

pilha acabada


a razão

escreve

NADA


abandono

a rima

e o remo


não há margem

não dá

Segunda-feira, Agosto 07, 2006

Tempo Presente

Não estou

onde estou



conjugo pessoas

não

verbos

Extremos

Ou vivo

Ou morro


o meio do caminho

não me diz



sobre vida